Saiba como a escolha da cor e dos corantes altera a barreira contra radiação UVA e UVB em artigos têxteis
Na moda praia e na esportiva, o tecido é a principal barreira entre a pele e a radiação solar. A princípio, nesses produtos, falar em proteção UV em tecidos significa ir além da estética: a cor e os corantes podem aumentar ou reduzir a quantidade de radiação UVA e UVB, mesmo quando todos os artigos possuem a mesma composição e estrutura.
Neste artigo, você vai entender como a cor influencia a transmitância de radiação UV em tecidos de poliamida para moda praia e como usar esse conhecimento para desenvolver produtos mais seguros, funcionais e competitivos.
Radiação UVA e UVB: conceitos essenciais para proteção UV em tecidos
A radiação ultravioleta ocupa uma pequena parte do espectro eletromagnético, mas é decisiva para a saúde da pele. Nesse sentido, ela se divide em:
- UVC (100–290 nm): não chega à superfície da Terra, pois é totalmente absorvida pela camada de ozônio;
- UVB (290–320 nm): causa queimaduras, vermelhidão e danos imediatos;
- UVA (320–400 nm): penetra mais fundo, atinge a derme e está ligada ao envelhecimento precoce, perda de elasticidade e aumento do risco de câncer de pele.
Nos tecidos, a proteção UV depende de quanto essas radiações conseguem atravessar o material (transmitância).
Ou seja, um tecido pode bloquear bem a UVB, evitando queimaduras, mas ainda deixar passar bastante UVA, gerando um risco cumulativo em produtos usados por longos períodos ao sol, como moda praia e roupas esportivas.
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Por que a proteção UV em tecidos é estratégica para a indústria têxtil
Artigos têxteis funcionam como barreira física contra os raios solares e são uma das formas mais acessíveis de fotoproteção.
Em outras palavras, em segmentos como moda praia, roupas esportivas e outdoor, vestuário com proteção UV, uniformes para trabalho ao ar livre e outros, o desempenho em proteção UV em tecidos deixa de ser apenas um diferencial de marketing e passa a ser um elemento central de projeto de produto, qualidade têxtil e posicionamento de marca.
Por isso, além da responsabilidade com a saúde do usuário, há impactos diretos em:
- Credibilidade das alegações técnicas (como “UPF 40+” ou “proteção UV”);
- Valor agregado dos artigos;
- Competitividade em mercados que demandam inovação em materiais e desempenho funcional.
Por isso, ensaios têxteis específicos para proteção UV e avaliação da transmitância UVA e UVB se tornam ferramentas essenciais para a tomada de decisão na indústria.
Como o Instituto SENAI avaliou o impacto da cor na proteção UV em tecidos de poliamida
O estudo “Influência da cor na transmitância de radiação UVA e UVB em artigos têxteis de poliamida para moda praia”, de Paulo Ricardo Marques, Allan Mickael Splieter e Adécio Gamba, do Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design, analisou três tecidos de poliamida/elastano para moda praia – branco, cinza e preto – mantendo todas as demais variáveis constantes: mesma composição de fibras, mesma estrutura e densidade e mesmos parâmetros produtivos, sem qualquer acabamento específico para aumentar a proteção UV.
Como resultado, ao variar apenas a cor, foi possível isolar o efeito da coloração sobre a transmitância de radiação ultravioleta e comparar esses resultados com a literatura científica, demonstrando na prática como a escolha de cor e corantes influencia a proteção UV em tecidos.
O que o estudo do SENAI/SC revelou
Os ensaios de proteção UV em tecidos seguiram a norma AS/NZS 4399:2017, referência internacional para avaliação e classificação de vestuário com proteção solar, baseada na medição da transmitância espectral da radiação UV entre 290 e 400 nm (UVB e UVA).
Portanto, foi utilizado um espectrofotômetro UV-Vis Agilent Cary 100 Bundle (modelo G9821A), realizando múltiplas medições em cada amostra para garantir repetibilidade e calcular o Fator de Proteção Ultravioleta (UPF), além de avaliar separadamente a transmitância de UVA e UVB. Essa metodologia oferece uma leitura mais precisa do desempenho real dos tecidos ao longo do uso.
Resultados: mesma classificação UPF, mas desempenho diferente em UVA e UVB.
Em síntese, todas as amostras de poliamida/elastano avaliadas no estudo alcançaram classificação UPF 40+, considerada excelente pela norma AS/NZS 4399:2017. Isso significa que, em termos normativos, cada tecido fornece alta proteção UV em tecidos.
Quando se observam apenas os valores de transmitância de UVA e UVB, porém, emergem diferenças importantes que ajudam a explicar o desempenho real dos materiais em condições de uso prolongado.
Tecido branco: maior transmitância, mesmo com UPF 40+
A amostra branca registrou os maiores índices de transmitância de radiação ultravioleta:
- Aproximadamente 1,9% para UVA;
- Aproximadamente 1,7% para UVB.
Esses valores, ainda baixos em termos absolutos, estão alinhados com estudos anteriores que indicam que tecidos de cores claras apresentam:
- Menor capacidade de absorção da radiação UV;
- Maior capacidade de transmitância, em comparação com tecidos escuros.
Na prática, mesmo com excelente classificação UPF, o tecido branco ainda deixa passar mais radiação do que as demais amostras, o que é crítico em produtos pensados para proteção UV em tecidos usados por longos períodos ao sol.
Tecidos cinza e preto: comportamento diferente do senso comum
No uso cotidiano, costuma-se associar cores escuras, como o preto, a uma proteção maior contra a radiação solar. Os resultados do estudo, no entanto, mostraram um cenário mais complexo:
- As amostras cinza e preta apresentaram comportamentos distintos entre si;
- Em determinados casos, os valores de transmitância foram superiores aos da amostra branca;
- A amostra preta permitiu a passagem de mais que o dobro da quantidade de radiação observada na amostra cinza, mesmo mantendo classificação UPF 40+.
Em outras palavras, esse resultado evidencia que confiar apenas na percepção visual da cor (claro versus escuro) não é suficiente para predizer o desempenho de proteção UV em tecidos. É necessário considerar outros fatores, especialmente relacionados à química dos corantes.
Papel dos corantes na proteção UV em tecidos
Uma explicação para a diferença de comportamento entre os tecidos cinza e preto, mesmo com estruturas idênticas, está na natureza dos corantes utilizados nos processos de tingimento.
Dessa forma, a proteção UV em tecidos é influenciada por aspectos como:
Isso significa que dois tecidos de poliamida pretos, com mesma gramatura, podem ter níveis diferentes de proteção UV em tecidos conforme a formulação de corantes e o processo de tingimento.
Ao focar na transmitância de UVA e UVB, a indústria consegue:
- Identificar materiais que, mesmo com o mesmo UPF, têm desempenho diferente em uso;
- Entender melhor o impacto da cor e da química dos corantes na fotoproteção;
- Orientar escolhas técnicas de corantes, matérias-primas e processos com base em dados.
Além disso, o estudo também abre espaço para novas pesquisas, como ampliar o número de amostras, comparar diferentes famílias de corantes e usar técnicas analíticas (como FTIR) para relacionar a estrutura química dos corantes à transmitância de radiação ultravioleta.
Aplicações práticas para a indústria têxtil
Os resultados do estudo geram uma base prática para decisões estratégicas em empresas que desenvolvem moda praia, roupas esportivas, vestuário com proteção UV, uniformes para ambientes externos e tecidos técnicos.
Por exemplo, entre os principais ganhos estão:
- Maior entendimento dos fatores que influenciam a proteção UV em tecidos;
- Suporte ao desenvolvimento de produtos com melhor desempenho funcional;
- Base científica para escolher corantes e processos de tingimento;
- Mais credibilidade na comunicação de atributos de proteção solar;
- Artigos com maior valor agregado e alinhados à inovação em materiais têxteis.
Ao incluir ensaios de transmitância UVA e UVB e avaliação de UPF na rotina de desenvolvimento, a indústria conecta decisões de projeto à segurança do usuário e à competitividade dos produtos.

Como o Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design apoia a indústria
A pesquisa sobre a influência da cor na transmitância de UVA e UVB em tecidos de poliamida para moda praia ilustra a atuação do Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design em Qualidade e Conformidade.
Assim, o Instituto apoia a indústria têxtil por meio de:
- Ensaios laboratoriais específicos para proteção UV em tecidos;
- Avaliação da transmitância de radiação ultravioleta e classificação de UPF segundo normas técnicas;
- Pesquisa aplicada para desenvolvimento de materiais com maior desempenho fotoprotetor;
- Consultorias técnicas em qualidade têxtil, escolha de corantes, processos produtivos e validação de desempenho de produtos.
Nesse sentido, ao unir ciência, ensaios e aplicação prática, o Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design ajuda as empresas a lançar produtos mais seguros, inovadores e competitivos, com atributos de proteção solar sustentados por dados.
Por isso, se sua empresa busca estruturar projetos em proteção UV, avaliar materiais ou desenvolver soluções em moda praia e esportivo, fale com os especialistas do Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design.
Autores: Paulo Ricardo Marques, Me. Allan Mickael Splieter e Me. Adécio Gamba.
Adaptação e revisão de conteúdo: Dra. Letícia Ávila.