New Space, dados espaciais e competitividade: o que muda para a indústria brasileira.
New Space representa a nova economia espacial: torna o uso do espaço mais ágil, mais comercial e diretamente orientado a serviços para empresas. A princípio, isso significa combinar quatro grandes vetores tecnológicos: miniaturização de satélites, redução de custos de lançamento, uso intensivo de dados e analytics, IA e modelos de negócio escaláveis e digitais.
Na prática, o espaço deixa de ser assunto restrito a governos e agências espaciais e passa a gerar valor direto para a indústria, cadeias produtivas e setores como agronegócio, energia, logística, mineração e manufatura.
1. Como o New Space gera valor para a indústria brasileira
À primeira vista, satélites e constelações parecem distantes da rotina da indústria, mas quando vemos o que entregam, fica claro como o New Space se conecta diretamente aos desafios industriais:
- Dados espaciais: coleta contínua de informações de alta qualidade sobre território, clima, ativos remotos e operações
- Insights acionáveis: transformação desses dados em indicadores, alertas e recomendações para suporte à decisão
- Decisão orientada por evidências: escolhas mais rápidas, assertivas e com menor incerteza
- Eficiência operacional: processos otimizados, menos desperdício e melhor uso de recursos
- Produtividade: mais valor gerado com menos custo e risco
Como resultado, empresas conseguem operar com mais previsibilidade, reduzir perdas e criar novos serviços digitais, integrando dados espaciais às suas rotinas de negócio.

2.New Space no Brasil e em Santa Catarina: por que essa agenda é estratégica
O Brasil reúne território continental, forte produção agroindustrial e cadeias de energia com muitos ativos remotos, o que amplia a necessidade de monitoramento, conectividade e melhor uso de dados.
Nesse contexto, o New Space transforma informação espacial em competitividade, usando dados e aplicações para gerar eficiência, resiliência e inovação na indústria.
Santa Catarina está bem posicionada nessa agenda, com competências em sistemas embarcados, eletrônica, automação, manufatura de precisão e inovação industrial, além de formação de talentos.
O estado consegue atuar em duas frentes:
- Fornecimento ao setor espacial: eletrônica embarcada, software e IA, sensores e manufatura avançada
- Aplicação de tecnologias de New Space na indústria local: agronegócio, florestas, energia, infraestrutura, logística, portos e manufatura 4.0
Os Institutos SENAI de Inovação em Santa Catarina atuam exatamente nesse ponto de conexão, transformando tecnologia espacial em soluções para a indústria.
3.Agronegócio e bioeconomia: dados espaciais em grandes territórios
Antes de tudo, o agronegócio é um dos setores que mais se beneficia do New Space. Satélites e plataformas de dados permitem monitorar lavouras e florestas plantadas, com uma previsão climática mais precisa, irrigação inteligente e detecção precoce de pragas e estresse hídrico. Além disso, há ganho em rastreabilidade territorial e conformidade regulatória.
Na prática, esses recursos geram aumento de produtividade por hectare, melhor uso de insumos, redução de perdas operacionais e mais agilidade na tomada de decisão. Nesse sentido, o New Space apoia uma bioeconomia mais eficiente e sustentável, especialmente relevante para cooperativas e produtores de Santa Catarina.
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4.Energia, mineração, petróleo e gás offshore: operar com mais confiança e segurança
À medida que cresce a demanda por energia renovável e redes mais inteligentes, o New Space pode melhorar a operação, manutenção e segurança de ativos em todo o território. Dados espaciais ajudam a:
- Aumentar a disponibilidade dos ativos em 5% a 15%
- Reduzir de 10% a 25% de custos e tempo de inspeção
- Priorizar manutenções críticas
- Elevar a segurança de equipes e comunidades
Isso se traduz em redes mais confiáveis, menos deslocamentos desnecessários e melhor uso de recursos na geração, transmissão e distribuição de energia.
Em ambientes de alta complexidade e risco, especialmente nas operações de petróleo e gás, o New Space amplia a visibilidade operacional e a conectividade em áreas marítimas e costeiras, com aplicações como monitoramento meteoceanográfico, rastreamento de embarcações e detecções de emissões e vazamentos. Com isso, empresas conseguem:
- Diminuir de 5% a 15% os custos logísticos
- Reduzir de 10% a 30% o tempo de resposta a eventos
- Melhorar a gestão de risco e compliance ambiental
O resultado é uma operação mais segura e produtiva, especialmente relevante para a matriz energética brasileira.
Tal qual petróleo e gás, a mineração é intensiva em ativos, território e logística. Tecnologias de observação da Terra, posicionamento e conectividade dão suporte à gestão de áreas extensas e operações críticas.
Nesse contexto, o New Space contribui para o mapeamento e a exploração de áreas, o monitoramento de barragens e pilhas de rejeitos, o controle territorial e ambiental e o acompanhamento de frotas e corredores logísticos, além de apoiar a identificação de instabilidades em taludes.
Com isso, as empresas reduzem o tempo de inspeção em áreas de 10% a 30%, aumentam a previsibilidade geotécnica e diminuem perdas logísticas em 5% a 15%, reduzindo riscos à continuidade operacional dos projetos de mineração.
5.Logística, infraestrutura e mobilidade: da localização à coordenação
Assim como outros setores, logística e infraestrutura são áreas em que dados de localização em tempo real fazem toda a diferença. Por isso, soluções em New Space permitem enxergar a cadeia de ponta a ponta.
Como algumas das aplicações, destacam-se: rastreamento multimodal, gestão de rotas e frotas, monitoramento de rodovias/ferrovias/portos, acompanhamento de obras e geolocalização de equipamentos, com conectividade em corredores remotos.
Quando empresas conseguem prever e executar ações com base em dados, melhoram o OTIF (On Time In Full), reduzem de 5% a 15% os custos por rota e aumentam o nível de serviço ao cliente diminuindo de 10% a 30% de tempo improdutivo.
Ou seja, tecnologias de New Space fortalecem a competitividade de portos e cadeias exportadoras em Santa Catarina.
6.Manufatura, supply chain e indústria 4.0: da fábrica ao território
Em vez de limitar a indústria 4.0 à produção interna, o eixo de New Space mostra que competitividade depende da integração entre processos produtivos, logística e dados territoriais.
As aplicações industriais incluem rastreabilidade de cadeias, IoT satelital para ativos de campo, sincronização de processos e logística, manutenção remota, monitoramento de emissões e uso de inteligência geoespacial para apoiar decisões ao longo da cadeia produtiva.
As empresas podem alcançar melhores índices de OEE (Eficiência Global dos Equipamentos) em torno de 5% a 12%, redução de 10% a 25% de perdas logísticas e mais resiliência na cadeia de suprimentos, integração como fator decisivo para competir em mercados globais.
7.Cadeias fornecedoras: onde o Brasil pode virar protagonista
As tecnologias em New Space também trazem impacto na formação de cadeias fornecedoras nacionais ligadas ao setor espacial e às aplicações industriais. Em vez de importar, o país pode produzir partes relevantes dessa tecnologia, como:
| Eletrônica e sistemas embarcados | Software, IA e dados espaciais | RF, antenas e comunicações |
| Metalmecânica e manufatura aditiva | Compósitos, polímeros e estruturas avançadas | Sensores, óptica e instrumentação |
| Baterias, energia e gestão térmica | Integração, testes e segmento solo | Cibersegurança para missões e redes |
| Foguetes lançadores |
Segundo essa lógica, nem tudo precisa ser nacionalizado de imediato. A prioridade deve estar onde já existe base industrial e capacidade de escalar, o que permite reduzir importações, aumentar o conteúdo local e espalhar tecnologia (spillovers) para outros setores da economia, além do próprio espaço.

8.Cluster de IA e Geointeligência e Constelação BRASSAT
Por fim, iniciativas estratégicas merecem destaque: o Cluster de IA e Geointeligência combinado à Constelação BRASSAT.
O Cluster é uma iniciativa estruturada e liderada pelo SENAI/SC que integra dados de múltiplas fontes, transforma em ação e valida com a indústria, permitindo escalar soluções da fase de piloto à operação.
A atuação do Cluster está organizada em três pilares complementares: Empreendedorismo, Educação e Formação de Talentos e Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D e Inovação). O primeiro busca apoiar a criação e o crescimento de negócios em New Space, conectando empreendedores a desafios industriais, parceiros e oportunidades de investimento. O segundo contempla a formação de profissionais, desde a introdução às tecnologias espaciais até a capacitação especializada e aplicada, desenvolvendo competências para atender às demandas dessa nova economia.
O pilar de P&D e Inovação conecta desafios da indústria ao desenvolvimento de tecnologias e soluções, abrangendo pesquisa aplicada, integração, validação e demonstração em condições reais de uso. Esses três pilares se articulam em uma jornada que aproxima conhecimento, talentos e mercado: a formação prepara profissionais para desenvolver soluções; os projetos geram tecnologias e oportunidades de negócio; e o empreendedorismo contribui para transformar esses resultados em produtos e serviços. Assim, o Cluster busca ampliar a adoção de tecnologias espaciais pela indústria e fortalecer o ecossistema de inovação.
Como benefícios, somam-se: eficiência operacional, escalabilidade, antecipação de riscos e competitividade com novos serviços digitais, em setores estratégicos como agronegócio e meio ambiente, energia, defesa civil, logística e portos e defesa e soberania.
A Constelação BRASSAT, por sua vez, funciona como camada espacial de aquisição de dados para aplicações de interesse nacional, alimentando plataformas com informações multi‑source que são entregues em forma de APIs, indicadores, alertas e suporte à decisão.
As aplicações estratégicas podem se dar em eventos climáticos (com prevenção e resposta), agricultura de precisão (monitoramento de lavouras), áreas de óleo, gás e energia (operação e monitoramento) e infraestrutura (com rodovias e barragens).
9. O papel do SENAI/SC na agenda New Space
A transformação de New Space em resultados concretos para a indústria brasileira exige articulação entre empresas, tecnologia e formação. É justamente aí que o SENAI/SC se posiciona.
Os Institutos SENAI de Inovação atuam em:
- Desenvolvimento de nanosatélites e subsistemas
- Hardware e software embarcado
- Aplicações de observação da Terra e satcom/IoT satelital
- IA, visão computacional e geointeligência
- Manufatura Aditiva para Lançadores
Além disso, prestam serviços tecnológicos como prototipagem eletrônica, integração e validação, ensaios laboratoriais e consultorias em transformação digital.
Ao mesmo tempo, o SENAI/SC estrutura trilhas de capacitação em sistemas embarcados, geotecnologias e dados espaciais, comunicações e integração e testes, formando fornecedores brasileiros e apoiando indústrias.
O ponto central é: o New Space já está impactando a indústria brasileira. A questão agora é como sua empresa vai se posicionar.
Quer entender como aplicar tecnologias espaciais aos desafios da sua operação?
Entre em contato com os Institutos SENAI de Inovação.
Adaptação e revisão do conteúdo: Dra. Letícia Ávila